Campo Futuro levanta custos de pecuária de corte e banana
Painéis desta semana aconteceram em Tocantins e na Bahia
Brasília (19/06/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta semana, levantamentos de custos de produção do projeto Campo Futuro para avaliar os sistemas produtivos da bovinocultura de corte, em Tocantins, e da banana, na Bahia.
Na segunda (15), o levantamento aconteceu em Araguaçu (TO), onde foi adotada como referência uma propriedade modal de cria com 340 hectares de pastagem e 245 matrizes, dedicada à produção de bezerros e bezerras.
A fazenda comercializa anualmente mais de 105 animais jovens, além de vacas e outros animais de descarte. O Custo Operacional Efetivo (COE) foi estimado em R$ 267,96 por arroba vendida. A suplementação e a alimentação representaram 31% do COE, seguidas por gastos com mão de obra, responsáveis por 19% do total.
Na terça (16), o levantamento ocorreu em Paraíso do Tocantins (TO), onde a propriedade modal considerada possui 480 hectares de pastagem e 500 matrizes.
São comercializados aproximadamente 483 animais por ano entre bezerros, vacas e touros de descarte. O COE foi calculado em R$ 189,20 por arroba vendida, sendo a suplementação alimentar o principal componente dos custos, representando 24% do total.
Já em Colinas do Tocantins (TO), na quarta (17), o painel avaliou um sistema voltado à recria e parte da terminação dos animais. A propriedade modal adquire bezerros desmamados, comercializa garrotes e destina cerca de 20% dos animais à engorda final. O volume anual de vendas é de aproximadamente 380 cabeças de garrotes e bois gordos.
Nesse sistema, o COE foi estimado em R$ 294,54 por arroba vendida, sendo a aquisição de animais o item de mais peso nos custos, que respondeu por 68% dos custos operacionais. O assessor técnico Rafael Filho acompanhou os encontros.
Banana – Na terça (15), um painel online foi realizado com produtores de banana prata-anã em Bom Jesus da Lapa (BA). A propriedade modal da região foi definida como uma unidade produtiva de 8 hectares, conduzida em sistema semimecanizado e irrigado, com produtividade média de 20 toneladas por hectare.
Os participantes relataram queda no desempenho produtivo nos últimos anos, atribuída principalmente ao aumento da incidência do mal do Panamá, à ocorrência de eventos climáticos adversos e à redução da vida útil dos bananais. Na comparação com o levantamento realizado em 2023, quando a produtividade modal era de 25 toneladas por hectare, observa-se uma redução significativa nos rendimentos.
Segundo os produtores, o aumento dos custos de produção aliado a uma menor remuneração da atividade tem limitado os investimentos nas lavouras, comprometendo ainda mais os resultados produtivos.
Com os preços atuais de comercialização da fruta, a atividade apresenta margem bruta negativa, exigindo aporte de recursos de outras fontes para garantir sua manutenção no curto prazo.
A assessora técnica Letícia Fonseca participou do painel.
Parceria - O Campo Futuro é uma parceria da CNA com universidades e centros de pesquisa.
Os levantamentos fornecem informações estratégicas para produtores, entidades do setor e formuladores de políticas públicas, contribuindo para o acompanhamento da rentabilidade e da competitividade das atividades agropecuárias nas diferentes regiões do país.