CNA aborda panorama de instrumentos de política agrícola do Brasil

Entidade participou de seminário da Anpec, na quarta (24)

Por CNA 25 de junho 2026
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Seminario guilherme

Brasília (25/06/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quarta (24), de um seminário promovido pela Associação dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec) para discutir o tema “Políticas Agrícolas 2026: Panorama dos Principais Instrumentos do Agro”.

Na abertura do encontro, o assessor técnico da CNA Guilherme Rios destacou a importância do diálogo entre o setor produtivo e a academia. A CNA tem trabalhado no aprimoramento de diversas políticas, e esse contato com a academia, que produz informações, é fundamental”, afirmou.

Em sua palestra, Guilherme explicou que o Brasil possui uma legislação específica para política agrícola, que que estabelece diretrizes para produtores e demais atores do setor, contemplando instrumentos como crédito rural, seguro, Proagro, assistência técnica e outros programas de apoio à atividade.

Ao abordar o Plano Agrícola e Pecuário, o assessor disse que a política vai além de um pacote de crédito, reunindo programas voltados à gestão de riscos, comercialização e sustentabilidade para cada safra. E disse que, apesar do alto orçamento anunciado, o volume total de recursos não chega até o produtor.

Durante o seminário, o assessor da CNA falou sobre o funding da agropecuária brasileira. De acordo com dados apresentados, a demanda anual do setor é estimada em cerca de R$ 1,2 trilhão. Hoje, o Plano Safra responde por 33% desse volume, enquanto as fontes privadas representam 42% e os recursos próprios dos produtores, 25%.

Entre os instrumentos privados, ele citou a Cédula de Produto Rural (CPR) como principal fonte de financiamento do setor, além da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), do Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).

Ao analisar o desempenho do Plano Safra, entre julho de 2025 e maio de 2026, Guilherme afirmou que houve redução de 10% no volume disponibilizado para contratação em comparação com o mesmo período da safra anterior, sem incluir as Cédulas de Produto Rural. Segundo ele, produtores enfrentam dificuldades para acessar o crédito em razão da burocracia das instituições financeiras e do cenário econômico.

Em relação aos instrumentos de gestão de riscos, o representante da CNA disse que os desafios atuais do setor seriam menores caso o seguro rural fosse tratado como uma política de Estado e não de governo. “O seguro não evita desastres naturais, mas permite que o produtor atravesse esses momentos com maior tranquilidade”.

Outro tema exposto foi o aumento da inadimplência no crédito rural. Guilherme ressaltou que operações contratadas com taxas de mercado registraram inadimplência de 13,29% em abril deste ano, frente a 0,61% em abril de 2023. Para ele, a falta de instrumentos eficientes de gestão de riscos e as adversidades climáticas contribuíram para esse crescimento.

Por fim o assessor destacou que ao longo dos últimos anos, a CNA tem promovido diversas ações para fortalecer as políticas agrícolas e o ambiente de negócios do produtor rural.

“Os avanços foram significativos, mas ainda há um longo caminho a percorrer para promover todos os ajustes necessários e assegurar que os instrumentos disponíveis acompanhem o novo momento da agropecuária brasileira. O maior gargalo hoje não é a falta de instrumentos, é a falta de evidência sobre o que funciona, é justamente aí que o trabalho de pesquisa faz a diferença para o campo”, concluiu.

Assista ao seminário na íntegra:

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