CNA participa do Cana Summit 2026
Abertura do evento, em Ribeirão Preto, foi na quarta (15)
Brasília (15/04/2026) - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quarta (15), da abertura do Cana Summit 2026, em Ribeirão Preto (SP).
O evento é promovido pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) e reuniu autoridades, lideranças e especialistas para debater desafios e oportunidades do setor sucroenergético.
O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, relatou a preocupação com o cenário atual da produção primária e apresentou um panorama dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais no país.
Segundo Lucchi, o setor vive um momento de forte pressão, resultado da combinação entre queda nos preços das commodities agrícolas e aumento significativo dos custos de produção. Entre os principais fatores, ele destacou a alta nos fertilizantes, impulsionada por tensões geopolíticas internacionais, com aumentos que chegaram a superar 60% no caso da ureia.
O diretor técnico também avaliou o cenário econômico, com um ambiente regulatório cada vez mais complexo, o que dificulta o acesso ao crédito rural, além das taxas de juros cada vez mais elevadas, resultado da Selic a 14,75% ao ano, e do quadro crescente de endividamento no campo, “sem soluções estruturantes apresentadas até o momento”.
Na área trabalhista, o diretor técnico também apontou preocupação com propostas que podem aumentar o custo e a complexidade da contratação de mão de obra no meio rural.
Apesar do cenário desafiador, Bruno Lucchi ressaltou que o setor tem uma oportunidade relevante na agenda da transição energética. “O agro faz parte da solução. Os biocombustíveis são uma das principais contribuições do Brasil para uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.
Ele também destacou a importância de produtos como etanol, biodiesel e biometano na redução de emissões. Para Lucchi, o Brasil reúne condições para liderar esse debate global, especialmente em um contexto de instabilidade nos preços dos combustíveis. No entanto, Lucchi reforçou que isso só será possível com o fortalecimento do produtor rural.
“Não existe sustentabilidade no agro sem sustentabilidade econômica do produtor. É fundamental criar condições para que ele continue produzindo e investindo”, concluiu.