Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas debate desafios e oportunidades das cadeias produtivas
Encontro foi realizado na quinta (9)
Brasília (09/07/2026) - A Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, na quinta (9), reunião para debater os principais temas relacionados ao setor.
Foi o primeiro encontro com o novo presidente da comissão, Endrigo Dalcin, e a nova assessora técnica, Jerusa Rech. O diretor técnico da Comissão, Bruno Lucchi, também participou do encontro.
“Quero ampliar o alcance dos debates da comissão, que representa diversas culturas. Teremos muitos desafios pela frente e estou disposto a contribuir com todos os estados”, afirmou Dalcin.
A primeira pauta da reunião foi a apresentação do consultor da Agroconsult, André Pessoa, sobre as perspectivas para a safra e o mercado de grãos. O consultor detalhou a estimativa de produtividade dos grãos, oferta e demanda e explicou o ritmo dos insumos agropecuários.
Na avaliação do especialista, o setor atravessa um cenário desafiador, marcado por margens reduzidas, custos elevados e dificuldades de acesso ao crédito. Segundo ele, a tendência é de que as dificuldades persistam nos próximos anos, especialmente em razão da manutenção das taxas de juros em níveis elevados.
“A preocupação que eu tenho é que a situação que estamos vivendo permaneça praticamente a mesma, talvez sem muita melhora, por um longo período, principalmente em relação à taxa de juros. Não é uma crise aguda, como já vimos em outros momentos, mas uma crise crônica, que começou em 2023, se agravou e deve se estender por 2027 e 2028”, disse.
Durante a reunião, o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, apresentou um panorama do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027. Ele destacou a nota técnica disponibilizada pela CNA, com a análise técnica detalhada das medidas anunciadas.
Rios chamou atenção para a redução dos recursos destinados a programas prioritários do Plano Agrícola e Pecuário. Segundo ele, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) sofreu cortes entre 24% e 32%, enquanto o Proirriga teve redução de 39% em relação ao ciclo anterior.
O assessor também destacou que o volume de recursos equalizados para a safra 2026/2027 será de R$ 141 bilhões, 10% inferior ao da safra passada. Além disso, apontou como principais pontos de preocupação a ausência de avanços na gestão de riscos e no seguro rural, cujos recursos permanecem contingenciados.