Núcleo de Relações Internacionais da CNA analisa impactos do conflito no Oriente Médio
Reunião aconteceu na quarta (15)
Brasília (16/04/2025) – O Núcleo de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, na quarta (15), para avaliar os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o agro brasileiro.
O encontro, conduzido pela Diretoria de Relações Internacionais, teve a participação dos representantes dos escritórios internacionais da entidade e das federações estaduais de agricultura e pecuária que integram o Núcleo.
De acordo com a diretora de Relações Internacionais, Sueme Mori, a CNA faz o monitoramento regular da situação, com atualizações diárias a partir dos escritórios em Dubai, China e Singapura.
“As principais preocupações são em relação aos combustíveis, os fertilizantes, as rotas para entrada dos produtos brasileiros na região e a duração do conflito, para mensurar os impactos no nosso setor”, explicou.
Representando o escritório de Dubai, Ana Beatriz Fernandes apresentou um panorama desde o início das tensões.
“Estamos, atualmente, em um cenário de relativa desescalada nos Emirados. Temos acompanhado as conversas entre Irã e Estados Unidos, que ainda não avançaram de forma significativa. Já observamos custos logísticos mais elevados e voláteis, aumento nos seguros e pressão nos preços dos combustíveis, reflexo de toda essa incerteza”, explicou.
Hélio Ciffoni, representante do escritório de Singapura, pontuou que o sudeste asiático depende muito do Petróleo e a região sente os efeitos na alta do diesel. Ele relatou também que empresas e funcionários estão fazendo adaptações.
“Em Singapura, o aumento no preço do combustível tem forte impacto sobre o custo dos alimentos, chegando a elevar em até um dólar o valor das refeições. O país importa cerca de 90% do que consome e o governo já sinaliza a expectativa de que a população amplie o consumo de ovos, cuja produção é regional”.
Já Inty Mendonza, do escritório da China, ressaltou que o país asiático tem se preparado para eventuais impactos, mas já enfrenta reflexos diretos no custo de importação de grãos.
“O aumento no custo da energia elevou de forma significativa os preços dos grãos importados nos portos chineses. O farelo de soja, por exemplo, teve alta de cerca de 7%, impactando a produção de suínos. Também observamos aumento no custo da ração, o que tem gerado prejuízos aos produtores”, pontou.
Por fim, o Coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da CNA, Felipe Spaniol, destacou que "a China, assim como a Rússia, adotou medidas de restrição à exportação de fertilizantes, com o objetivo de assegurar os insumos para produção doméstica, o que aumenta ainda mais a pressão e os custos sobre o produto em países como o Brasil, que importa boa parte dos fertilizantes utilizados no campo."