Parceria entre Senar MT e Case IH forma mais de 500 profissionais nos CTs de Campo Novo do Parecis e Rondonópolis
Treinamentos gratuitos nos Centros de Treinamento do estado preparam operadores para lidar com tecnologias como automação e telemetria na colheita
Ana Frutuoso
Fonte: Sistema Famato
A necessidade contínua de profissionais qualificados para operar maquinários agrícolas de ponta tem transformado a realidade do agronegócio em Mato Grosso. Em parceria com a Case IH (grupo CNH), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) capacitou 582 em 69 cursos realizados entre janeiro e julho de 2026. As formações focam na operação, regulagem e manutenção de máquinas de alta tecnologia, atendendo a uma das maiores demandas dos produtores rurais da região.
As ações estão concentradas nos Centros de Treinamento (CT) de Campo Novo do Parecis e Rondonópolis, oferecendo uma estrutura onde trabalhadores e novos talentos aprendem na prática. Entre os cursos ministrados estão a Operação em Alta Performance Utilizando Colheitadeira de Grãos, Pulverizador Autopropelido, Trator, e Trator com Plantadeira.
O coordenador de regionais do Senar MT, Victor Fazinga, ressalta a relevância da aliança. “Essa parceria representa um importante avanço na qualificação de profissionais para o setor agrícola. Unindo a experiência do Senar MT em formação e capacitação à tecnologia e inovação da Case IH, essa iniciativa prepara operadores para os desafios do campo, garantindo mais eficiência, segurança e produtividade nas operações”, pontua.
A oferta de treinamentos busca sanar um gargalo histórico do setor produtivo. Segundo o supervisor regional do Senar MT, José Pio, a escassez de operadores preparados é uma queixa frequente entre os produtores rurais atendidos pelos sindicatos da região sul do estado, como Rondonópolis, Pedra Preta, Jaciara e Jucimeira.
“Hoje, a gente sabe que uma das grandes dores do produtor é não ter uma mão de obra qualificada na região. Nosso objetivo é formar profissionais aptos para atender a essa demanda e trabalhar de forma efetiva nas propriedades. A gente abre os cursos para o público urbano que quer se qualificar ou aperfeiçoar sua aptidão com máquinas. Grande parte das pessoas vem da cidade já com noções de direção para operar o equipamento com segurança”, completa o supervisor.
Além de suprir a demanda do mercado, os cursos têm se consolidado como uma porta de entrada para a inclusão feminina em atividades historicamente dominadas por homens. Alunas do curso de colheitadeiras no CT de Rondonópolis destacam a transformação profissional e o fim dos preconceitos na mecanização agrícola.
Natural de Rondônia e atualmente morando em Rondonópolis, Aylla Maciel, de 32 anos, é técnica agrícola e motorista de caminhão. Ela enxergou no treinamento a chance de se reconectar com suas raízes rurais e expandir sua atuação.
“Eu venho da área rural e da área de transporte, que são duas paixões. Vi a oportunidade de voltar para o agro e quero pegar firme nisso. Na área de transporte ou de máquinas, ninguém espera uma mulher, mas hoje não existe mais isso de mulher ficar só no fogão. Uma mulher pode dirigir um caminhão, uma máquina ou um avião. É preciso ter atenção aos detalhes do solo e da máquina para não estragar os equipamentos, e a instrução técnica nos dá essa base com excelência”, relatou Aylla.
Para Raquel Ferreira, estudante de Gestão de Recursos Humanos que se mudou para Mato Grosso há anos, o curso representou um desafio superado. “Para mim está sendo desafiador porque não tinha vivência na área, mas estou gostando muito. Até pouco tempo não tínhamos espaço, e hoje estamos fazendo um curso que antes era só para homens, quebrando paradigmas e preconceitos. As mulheres são capazes, e encorajo todas a virem sem medo”, afirmou.
Já a aluna Andressa Santos destacou o aprendizado detalhado sobre a tecnologia interna do maquinário e o cuidado diferenciado que a presença feminina agrega ao campo.
“É uma experiência muito válida para entender desde o funcionamento interno até a operação. A tecnologia ajuda, mas é preciso estar ciente dos sinais que a máquina dá. A mulher tem um cuidado a mais, um zelo e uma visão sistêmica do negócio. Isso faz diferença nos detalhes da manutenção, na verificação pós-colheita e na limpeza do equipamento”, explicou Andressa.
Os interessados em participar dos próximos cursos de mecanização agrícola devem procurar o Sindicato Rural de seu município para verificar a disponibilidade de turmas para realizar a inscrição.