Produtores destacam resultados do Forrageiras durante primeiro Dia de Campo do Rally
Evento em Baixa Grande (BA), na segunda (3), reuniu cerca de mil participantes e marcou o início da etapa de transferência de tecnologias do projeto
Brasília/DF (06/08/2026) – Produtores rurais de diversos municípios do semiárido baiano participaram, na segunda (3), do primeiro dia de campo do Rally Forrageiras, realizado em Baixa Grande (BA).
Com caravanas de 18 municípios, o evento apresentou aos participantes os resultados obtidos pelo Projeto Forrageiras para o Semiárido e marcou o início da nova fase da iniciativa, voltada à transferência de tecnologias para o campo.
Os participantes visitaram quatro estações de pesquisa com demonstrações práticas sobre manejo e conservação de forragem, formas de propagação da palma forrageira e tecnologias usadas.
Ao longo do dia, produtores, técnicos e profissionais do setor conheceram os resultados das pesquisas realizadas nas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), onde foram avaliadas espécies forrageiras adaptadas às condições do Semiárido.
Na Bahia, gramíneas como Massai, BRS Piatã, BRS Paiaguás e Buffel Áridus, além do sorgo, do milheto e das palmas Miúda e Orelha-de-Elefante Mexicana, apresentaram melhor desempenho e passam a integrar as recomendações técnicas que serão disseminadas pelo Sistema CNA aos produtores rurais dos 10 estados que participam do projeto Forrageiras.
Para quem participou do evento, os resultados do Forrageiras representam uma oportunidade de ampliar o acesso ao conhecimento, melhorar o planejamento forrageiro das propriedades e fortalecer a pecuária diante dos desafios impostos pelos períodos de seca.
Alternativas - O produtor João Bosco, de Riachão do Jacuípe, percorreu cerca de 200 quilômetros para participar do dia de campo. Embora já utilize o capim Buffel Áridus, ele afirmou que conheceu novas alternativas para implantar na propriedade.
"Me desloquei quase duzentos quilômetros acreditando nesses ensinamentos e tecnologias, com o intuito de aplicar esse aprendizado o mais rápido possível em minha região. Estou bastante otimista e espero que este projeto contribua significativamente para o nosso setor."
Produtor de gado de corte em Lajedinho, Valtônio de Jesus Silva acredita que o conhecimento compartilhado durante o projeto poderá trazer mais segurança para quem produz.
"Com mais conhecimento, teremos menos prejuízos e evitaremos a necessidade até de vender nossos animais por receio de perdas. Com o manejo adequado, poderemos trabalhar com tranquilidade e aguardar o momento ideal para a comercialização."
Em Baixa Grande, onde está instalada uma das Unidades de Referência Tecnológica do projeto, muitos produtores já adotaram algumas das forrageiras avaliadas e acompanharam o dia de campo para conhecer os resultados das demais espécies pesquisadas.
Mudança de cultura - Médico veterinário e produtor rural, Maurício Nogueira foi um dos primeiros da região a introduzir o Buffel Áridus em suas propriedades e destaca a importância de validar novas tecnologias antes de incorporá-las ao sistema produtivo.
"A mudança de cultura na região ocorre justamente quando testamos novas tecnologias, validamos os resultados e os incorporamos ao dia a dia da produção."
Para Thiago Rios, técnico em agropecuária e administrador de propriedades rurais, a pesquisa oferece informações que ajudam o produtor a tomar decisões mais seguras sobre a formação das pastagens.
"O produtor precisa conhecer o caminho ideal para plantar o capim que ofereça a maior produtividade e a melhor tolerância à seca. Ao final de um evento como este, saímos com a orientação necessária para escolher a melhor estratégia para cada fazenda."
O produtor Silvio Avelar, que implantou 22 hectares de Buffel Áridus para produção de feno, acredita que o projeto amplia as alternativas disponíveis para quem produz no Semiárido. "O portfólio de gramíneas apresentado oferecerá aos produtores locais soluções eficazes para elevar a produtividade."
Suporte técnico - Produtor de leite em Baixa Grande, Júlio César Cotias ressaltou que o acesso à tecnologia mudou a forma de produzir na região.
"Com o suporte técnico, aprendemos a colher o capim no ponto ideal, produzir feno e manter reservas estratégicas. Temos, inclusive, um ativo inestimável: a palma. Ela é fundamental para a viabilidade da pecuária leiteira no Semiárido, pois é resistente e está sempre disponível para o corte. Este projeto demonstra que a produção no Semiárido é viável e economicamente sólida."
A avaliação é compartilhada por Danilo Borges, produtor acompanhado pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar. Segundo ele, a orientação técnica incentiva práticas como a análise e a correção do solo, contribuindo para aumentar a eficiência das propriedades rurais.
"Esse movimento agrega muito valor à propriedade", afirmou o produtor, que também é apicultor e tem criação de galinhas da raça Balão.
Saiba onde vão acontecer os próximos dias de campo do Rally Forrageiras, acesse: https://cnabrasil.org.br/projetos-e-programas/forrageiras-para-o-semiarido