CNA debate diplomacia dos alimentos no São Paulo Innovation Week 2026
Evento de empreendedorismo, educação, ciência e tecnologia acontece até sexta (15)
Brasília (15/05/2026) – A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, discutiu sobre a diplomacia dos alimentos durante o evento “São Paulo Innovation Week 2026”, na sexta (15).
O festival reuniu líderes globais, startups, especialistas e empresas em uma programação com palestras, fóruns eventos sobre empreendedorismo, educação, ciência e tecnologia.
Sueme Mori participou de um painel que debateu segurança alimentar, acordos comerciais, barreiras sanitárias e ambientais, além do papel das cadeias produtivas na construção de relações internacionais mais estáveis e cooperativas.
A diretora destacou que o Brasil ocupa uma posição favorável no comércio internacional por ser um produtor e exportador de alimentos confiável e por estar em uma região estável. Ela citou como exemplo dessa confiabilidade o período da pandemia da covid-19, quando o país manteve o fornecimento de alimentos aos parceiros e ainda bateu recordes de exportação.
De acordo com Sueme, o Brasil se consolidou no mercado externo seguindo a lógica da eficiência, baseada na competitividade e na troca entre quem produz e vende melhor determinado produto. No entanto, essa lógica tem sido afetada pelo enfraquecimento das regras internacionais de comércio e por movimentos adotados por alguns países.
Durante o painel, a porta-voz da CNA foi questionada sobre a concentração da pauta exportadora de produtos agropecuários e dos destinos. Nesse contexto, ela explicou que o Brasil exporta de tudo um pouco do agro, mas que o volume e valor de exportação de soja, milho e proteína animal, por exemplo, acabam ofuscando o desempenho dos demais produtos.
Em relação aos destinos, a diretora de Relações Internacionais mencionou a China, que é o principal parceiro do Brasil, e ressaltou que a consolidação dessa relação ao longo dos anos está diretamente ligada ao crescimento das exportações brasileiras nas últimas décadas. “Esse nível de dependência incomoda os dois lados, os dois têm interesse em diversificar os parceiros, mas não em reduzir essa relação”.
Outro tema discutido no painel foi a defesa e representação do Brasil no comércio exterior. A diretora de Relações Internacionais afirmou que o país está em processo de maturidade institucional e que a sua história no mercado internacional ainda é muito recente. Para ela, o Brasil precisa participar mais das discussões para defender a realidade produtiva nacional. “Se não estou na mesa para discutir sobre um indicador, ele será usado contra mim”.
Por fim, Sueme Mori falou sobre o acordo Mercosul-União Europeia e os últimos acontecimentos sobre o tema. “A negociação com a UE foi muito dura e hoje temos a preocupação com medidas europeias que possam prejudicar o que foi negociado”. Ela reforçou que o Brasil precisa de mecanismos de proteção para garantir o equilíbrio alcançado no acordo. “Temos que aprender a jogar esse jogo”.
Também participaram do painel o diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ, José Pimenta, e especialista e líder na Insper Agro Global, Alberto Pfeifer. O debate teve a moderação da jornalista Isadora Duarte.