Especialistas debatem desafios e oportunidades dos recursos genéticos para o agro

Workshop foi realizado na terça (30), na CNA

Por CNA 1 de julho 2026
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Brasília (1º/07/2026) – Durante o 1º Workshop Futuro dos Recursos Genéticos na Agricultura Brasileira, na terça (30), especialistas discutiram o papel dos recursos genéticos para a produção de alimentos no país e como o agro pode contribuir com o debate sobre o tema.

 O evento, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), promoveu cinco painéis para ampliar as discussões entre entidades do setor interessadas no tema.

 Painel 1 - No primeiro painel “Desenvolvimento tecnológico da agropecuária brasileira” foi discutida a importância de ampliar o diálogo entre governo, instituições de pesquisa e setor produtivo para fortalecer a posição do Brasil nas discussões internacionais sobre biodiversidade e recursos genéticos.

 O painel também abordou os principais impactos das negociações globais para a agropecuária brasileira, incluindo temas como acesso e repartição de benefícios, informações de sequência digital (DSI), conservação da biodiversidade, rastreabilidade e inovação biotecnológica.

 Além dos desafios relacionados à segurança jurídica e aos custos regulatórios, foram apresentadas oportunidades para impulsionar a inovação em melhoramento genético, a bioeconomia, a agricultura resiliente às mudanças climáticas e a valorização da biodiversidade brasileira, contribuindo para a construção de posicionamentos estratégicos do país nesses fóruns internacionais.

 Painel 2 – No painel "A importância dos bancos de germoplasma e da pesquisa e inovação para fortalecer a agricultura brasileiro", o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Marcos Gimenes, destacou que os recursos genéticos e a variabilidade genética são a base do melhoramento vegetal e da inovação agrícola.

O pesquisador também explicou o modelo de governança dos recursos genéticos na Embrapa, que são mais produtivas, adaptadas e sustentáveis, como demonstram diversos avanços da agricultura brasileira.

Gimenes apresentou a estrutura da Embrapa para conservação desses recursos, formada por bancos de germoplasma, curadorias e bancos genéticos que integram uma rede responsável por conservar, documentar e disponibilizar materiais e informações de forma segura e eficiente.

Com unidades distribuídas em diferentes regiões do país, esse sistema reduz riscos de perda, preserva materiais adaptados aos diversos biomas e aproxima a pesquisa das necessidades do campo.

O pesquisador também explicou o modelo de governança dos recursos genéticos na Embrapa e defendeu o fortalecimento de uma agenda nacional voltada à conservação, curadoria e uso estratégico desses recursos para garantir a competitividade e a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Painel 3 – No terceiro painel sobre "Contextualização e Desafios para o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (TIRFAA)”, a embaixadora do Brasil na FAO, Carla Barroso Carneiro, explicou como surgiu o tratado e como funcionam os bancos de germoplasma.

Segundo ela, o TIRFAA facilitou o acesso aos bancos e tem sido fundamental para o monitoramento das DSIs, que são as informações de sequenciamento digital das espécies armazenadas.

A embaixadora lembrou que, no próximo ano, o órgão gestor do tratado (composto por representantes de todos os países que aderiram ao acordo) vai se reunir para definir se abrirá as negociações e o Brasil precisa aproveitar o momento para elaborar uma proposta de atualização do tratado.

Painel 4 - O painel destacou a importância dos recursos genéticos para garantir a segurança alimentar, impulsionar a inovação e fortalecer a agricultura brasileira. 

Os participantes defenderam que o Tratado Internacional da FAO sobre Recursos Fitogenéticos é essencial para facilitar o intercâmbio de materiais genéticos, apoiar o melhoramento vegetal e promover uma repartição mais equilibrada dos benefícios, embora ainda existam desafios relacionados ao financiamento, à coordenação institucional e às negociações internacionais. 

Também foi apresentada a Política Nacional de Recursos Genéticos para Alimentação e Agricultura, instituída em 2024, que transforma o tema em uma política de Estado. A iniciativa busca integrar conservação, uso sustentável, pesquisa, inovação e geração de conhecimento, valorizando a biodiversidade brasileira como ativo estratégico para o desenvolvimento do país.

Painel 5 – O 5º painel abordou os impactos das novas tecnologias de melhoramento genético e da biotecnologia nas discussões internacionais sobre biodiversidade e acesso aos recursos genéticos.

A discussão deu destaque à inovação agrícola, que depende do intercâmbio de recursos genéticos, do avanço das técnicas de melhoramento e de marcos regulatórios capazes de acompanhar a evolução científica sem comprometer a pesquisa, a produtividade e a segurança alimentar.

Os palestrantes explicaram o funcionamento da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), seus protocolos e sua influência sobre a legislação brasileira, além de ressaltar que decisões tomadas em fóruns internacionais acabam sendo incorporadas às normas nacionais.

Também foi reforçada a importância da participação ativa da sociedade civil e do setor produtivo na construção das posições brasileiras, já que essas decisões possuem efeitos diretos sobre a agricultura, a pesquisa e a inovação.

"Ao reunir representantes do governo, da pesquisa e do setor produtivo, o workshop buscou ampliar o diálogo sobre os desafios regulatórios e científicos relacionados aos recursos genéticos e contribuir para a construção de posicionamentos estratégicos do Brasil nas negociações internacionais sobre biodiversidade, inovação e segurança alimentar", afirmou a assessora técnica da CNA Jaine Cubas.

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