Alimentação no domicílio recua 0,39% em junho
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,16% em junho de 2026, 0,42 ponto percentual (p.p.) abaixo da variação de 0,58% registrada em maio. Como base de comparação, em junho de 2025 o índice havia apresentado alta de 0,24%.
Gráfico 1: IPCA - Índice Geral e Grupos - Variação mensal (%)
Como pode ser observado no Gráfico 2, o resultado de junho de 2026 encontra-se abaixo da média histórica e da média observada nos últimos cinco anos (0,31%), indicando uma desaceleração em relação aos anos imediatamente anteriores e significativamente distante dos picos históricos.
Gráfico 2: IPCA - Meses de Junho de cada ano (%)
Exceto pelos grupos Alimentação e Bebidas e Educação, todos os demais grupos do IPCA registraram alta de preços em junho. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24% no mês, o que representa uma desaceleração de 1,57 ponto percentual (p.p.) em relação à alta de 1,33% observada em maio, contribuindo com uma queda de 0,05 p.p. sobre o índice geral. No subgrupo Alimentação no Domicílio, os preços recuaram 0,39%, após alta de 1,65% em maio, o que corresponde a uma desaceleração de 2,04 p.p. Entre as principais quedas destacaram-se os preços da maçã (-3,78%), do café moído (-3,72%), do óleo de soja (-2,78%), do tomate (-2,02%) e das carnes (-0,64%). Já as maiores altas foram observadas no feijão-carioca (8,31%), na manga (5,53%), no alho (5,36%), na batata-inglesa (3,57%) e na cebola (2,99%). Alimentação fora do Domicílio registrou alta de 0,15%, significativamente inferior à registrada em maio (0,49%).
O grupo Habitação foi o principal responsável pela alta do IPCA em junho, contribuindo com 0,10 ponto percentual (p.p.) para o índice mensal. Os preços do grupo avançaram 0,63% no período, embora esse resultado represente uma desaceleração em relação à alta de 1,22% registrada em maio. O resultado foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 1,53% da energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto individual sobre o índice do mês, contribuindo com 0,063 p.p. para o resultado geral. Em junho, esteve vigente a bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Embora tenha exercido impacto reduzido sobre o índice geral, 0,01 p.p., o grupo Transportes registrou alta de 0,17% em junho, refletindo o aumento nos preços das passagens aéreas (7,12%). Em contrapartida, os combustíveis recuaram 0,48% no mês, com quedas nos preços do etanol (-3,09%), do óleo diesel (-1,19%), do gás veicular (-0,19%) e da gasolina (-0,12%). Os demais grupos que registraram elevação de preços no período apresentaram impacto inferior a 0,03 p.p. sobre o índice geral. No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA avançou 4,64%, enquanto o grupo de Alimentação e Bebidas registrou alta de 3,82% e o subgrupo Alimentação no Domicílio acumulou elevação de 3,03%.
Gráfico 3: IPCA - Índice Geral e Grandes Grupos - Acumulado em 12 meses (%)
O que muda para o produtor?
O resultado do IPCA de junho reforça a necessidade de atenção aos custos de produção e ao cenário macroeconômico. O principal destaque do mês foi a alta dos preços da energia elétrica, com perspectiva de novas pressões nos próximos meses em razão do período seco e da elevação dos custos de geração, embora a redução dos combustíveis atenue parcialmente essa pressão.
Além dos fatores domésticos, as tensões geopolíticas, as tarifas norte-americanas e os gargalos logísticos no comércio internacional continuam pressionando os custos de produção e as expectativas de inflação, que permanecem acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esse cenário tende a contribuir para a manutenção de juros em alto patamar por um período mais prolongado, mantendo elevado o custo do crédito rural e dos investimentos produtivos.
Embora o Plano Safra 2026/2027 tenha reduzido as taxas de juros em diversas linhas de financiamento, especialmente para o Pronaf, o efeito positivo dessas medidas tende a ser limitado pelo elevado patamar da taxa básica de juros e pela diminuição dos recursos destinados a importantes programas de investimento com juros controlados. Além disso, a ausência de avanços estruturais em temas como seguro rural e endividamento mantém um ambiente de maior cautela para os produtores na tomada de decisão para a próxima safra.
Principais itens de alta e baixa no subgrupo de Alimentação no Domicílio
Maçã – Os bons resultados da safra 2025/26 ampliaram a disponibilidade da fruta no mercado. Em um cenário de demanda mais fraca, a oferta acima do ritmo de consumo pressionou as cotações, resultando na queda observada nos preços.
Café moído – A queda nos preços refletiu o avanço sazonal da colheita da safra brasileira e as expectativas de uma produção mais elevada no ciclo corrente. A maior oferta de grãos, com início da safra, no mercado físico pressionou as cotações, reduzindo os custos da matéria-prima industrial e favorecendo o repasse dessa queda aos preços no varejo, especialmente do café moído.
Óleo de soja – A queda dos preços refletiu a maior oferta global de soja, impulsionada pela safra recorde brasileira, pelo avanço da colheita na Argentina e pelas boas perspectivas para a safra dos Estados Unidos. Esse cenário pressionou as cotações da oleaginosa, reduziu os custos de aquisição da indústria e favoreceu o repasse da queda aos preços do óleo de soja no varejo.
Tomate – A redução dos preços refletiu o avanço da safra de inverno nas principais regiões produtoras, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. O aumento das áreas em colheita e a melhora gradual da produtividade ampliaram a oferta da hortaliça, pressionando sua cotação.
Carnes – A queda foi puxada pelas carnes suína e de frango, que recuaram, respectivamente, 1,0% e 3,1% nas indústrias (mercado atacadista) em junho, na comparação mensal (Cepea). O aumento na produção e os estoques internos elevados têm pressionado as cotações.
Feijão-Carioca – A alta dos preços refletiu as expressivas perdas de safra provocadas por adversidades climáticas no primeiro semestre de 2026 e a redução da área cultivada, fatores que restringiram a oferta do grão, pressionaram os estoques disponíveis e elevaram os custos de aquisição ao consumidor final.
Manga – Os preços da manga apresentaram alta em junho devido à oferta controlada de frutos no Vale do São Francisco. A melhor qualidade da produção e a menor disponibilidade da fruta no mercado sustentaram a elevação das cotações.
Alho – Os preços foram pressionados pela menor disponibilidade do produto nacional. O avanço da comercialização da safra na região Sul, aliado ao menor potencial de armazenagem e ao estágio ainda inicial da colheita, nas demais regiões produtoras, contribuíram para manter os preços em patamares elevados.
Batata-inglesa – A alta dos preços foi impulsionada pela menor oferta do produto, decorrente do encerramento da safra das águas e do ritmo ainda lento de avanço da safra de inverno, fatores que reduziram a disponibilidade do produto no mercado.
Cebola – Os preços da cebola avançaram em junho devido à oferta ainda restrita no mercado. Os atrasos no calendário de produção, provocados pelas chuvas durante o transplante das lavouras nas regiões do Cerrado, limitaram o início da safra e mantiveram as cotações em alta.
Preço dos alimentos no Mundo
O Índice de Preços de Alimentos da FAO – IPFA é um indicador dos preços internacionais de produtos alimentícios calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), abrangendo as categorias de cereais, óleos vegetais, carnes, lácteos e açúcar. Em junho, o IPFA atingiu média de 130,3 pontos, mantendo-se relativamente estável relação ao índice revisado de maio (130,8 pontos). De modo geral, a queda dos índices de preços do açúcar, dos cereais e dos lácteos compensou os aumentos observados nos índices dos óleos vegetais e das carnes.
Tabela 3. Índice de Preços de Alimentos da FAO (IPFA) - maio 2026
Os preços internacionais do açúcar recuaram 5,7% em relação a maio. A queda dos preços do etanol incentivou uma maior destinação da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, ampliando a oferta do produto e pressionando suas cotações. Os preços dos cereais também registraram retração, de 3,5% na comparação mensal, em resposta ao avanço da colheita do trigo na região do Mar Negro e às perspectivas de maior oferta de milho pelos principais países exportadores da América do Sul. Já os preços internacionais dos lácteos caíram 1,5%, refletindo, principalmente, a demanda mais fraca dos principais países importadores.
Do lado das altas, o índice de preços dos óleos vegetais avançou 3,8% em relação a maio, impulsionado pelas maiores cotações dos óleos de palma e canola e pela estabilidade dos preços do óleo de girassol, fatores que mais do que compensaram a queda nos preços do óleo de soja. Este último foi pressionado pelo aumento sazonal da oferta na América do Sul e pela redução dos preços do petróleo bruto. No caso dos óleos de palma e canola, as altas refletiram a forte demanda por biocombustíveis e preocupações com as condições climáticas e de produtividade nos principais países produtores, como Indonésia, Austrália e Canadá.
O índice de preços da carne permaneceu praticamente estável em relação a maio, com alta de 0,4%, refletindo o aumento dos preços das carnes de aves e ovina, sustentado pela forte demanda internacional. Em contrapartida, os preços das carnes bovina e suína recuaram no período. No caso da carne suína, a queda foi influenciada pela ampla oferta diante da demanda mais fraca na União Europeia. Para a carne bovina, pesaram as menores cotações na Austrália e a desaceleração das compras chinesas, à medida que as cotas de importação do país se aproximaram de sua plena utilização, levando a uma desaceleração gradual nas compras.
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA:
Bruno Barcelos Lucchi - Diretor Técnico
Maciel Silva - Diretor Técnico Adjunto
Núcleo Econômico
Renato Conchon - Coordenador
Elisangela Pereira Lopes - Assessora Técnica
Fernanda Laundos da Costa - Assessora Técnica
Guilherme Costa Rios - Assessor Técnico
Isabel Mendes de Faria - Assessora Técnica
Zenaide Rodrigues Ferreira - Assessora Técnica
João Paulo Franco da Silveira - Coordenador de Produção Animal
Ana Ligia Aranha Lenat - Coordenadora de Produção Agrícola
Eduarda Lee - Assessora Técnica
Fernanda Regina - Assessora Técnica
Guilherme Mossa de Souza Dias - Assessor Técnico
Jerusa Rech - Assessora Técnica
Kalinka Lessa Koza - Assessora Técnica
Leticia Assis Valadares Fonseca - Assessora Técnica
Madeliny Saracho Jara - Assessora Técnica
Maria Eduarda Vieria Morais - Assessora Técnica
Rafael Ribeiro de Lima Filho - Assessor Técnica