Interpretação do Documento Central Nº 1, de 2026, da China
Em 3 de fevereiro, a China revelou seu Documento Central nº 1 para 2026, apresentando planos para avançar na modernização agrícola e rural e para promover a revitalização rural em todas as áreas. Uma vez que tal documento é divulgado anualmente pelas autoridades centrais chinesas, e sendo a primeira declaração de política deste ano, o documento é visto como um indicador de prioridades políticas de 2026.
Desde 2004, por 23 anos consecutivos, a agricultura tem ocupado o primeiro lugar na agenda política do governo chinês. Consequentemente, nos últimos anos, o Documento Central nº 1 tornou-se uma referência essencial para questões agrícolas, tendo registrado a evolução da resposta chinesa aos chamados “três problemas rurais” 1 . Durante o período de 2021 a 2025, o foco central das políticas concentrou-se na preservação da linha de base, isto é, na prevenção de recaídas, em larga escala, na pobreza. Este ano, o Documento Central nº 1, de 2026, ao propor explicitamente o direcionamento para a modernização da agricultura e das áreas rurais, sinaliza a conclusão bem-sucedida das tarefas dessa fase de transição. A partir deste ano, a política agrícola deixa a fase de transição e passa a se concentrar, simultaneamente, na revitalização rural e na modernização produtiva.
Trata-se do primeiro documento dessa natureza no início do 15º Plano Quinquenal (2026–2030), assumindo, assim, um papel orientador para os próximos cinco anos no que se refere à modernização da agricultura e ao desenvolvimento rural. Além disso, publicado após o término do período de cinco anos de consolidação e expansão das conquistas do alívio da pobreza, e na sequência de dois anos consecutivos em que a produção de grãos da China ultrapassou 700 milhões de toneladas, o Documento Central nº 1, de 2026, indica uma transição gradual da expansão quantitativa para a consolidação da capacidade produtiva interna. Essa nova fase se destaca pela maior ênfase na qualidade do desenvolvimento, na sustentabilidade ecológica e na estabilidade do sistema produtivo a longo prazo.
Com o objetivo de apresentar as mais recentes políticas agrícolas chinesas e as direções de desenvolvimento agrícola da China, a equipe da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) de Xangai elaborou este artigo para interpretar o Documento Central nº 1, de 2026, da China.