CNA destaca papel das mulheres e responsabilidades do agro para segurança alimentar na WFO
Evento promovido pela Organização Mundial dos Agricultores aconteceu na quinta (23)
Brasília (24/07/2026) - A Comissão Nacional de Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quinta (23), em Roma (Itália), do primeiro webinar da série “Mulheres no Centro da Segurança Alimentar”, promovida pelo Grupo de Trabalho de Segurança Alimentar e Nutrição da Organização Mundial dos Agricultores (WFO).
A produtora rural Martha Louzada, representante do Rio Grande do Sul na Comissão, apresentou a experiência brasileira e destacou as responsabilidades do agro na produção sustentável de alimentos, na conservação dos recursos naturais e no fortalecimento da segurança alimentar.
O webinar celebrou o Ano Internacional da Mulher Produtora Rural e proporcionou um espaço para a troca de experiências sobre a atuação feminina nos sistemas de produção de alimentos. Representantes de diferentes países apresentaram desafios, avanços e iniciativas voltadas ao fortalecimento da liderança das mulheres no campo.
Martha falou sobre sua experiência como produtora em Alegrete, no Bioma Pampa, na propriedade que ela administra com o marido e o filho. A família cria bovinos de corte, produz arroz irrigado e desenvolve a criação de ovinos.
“Para nós, a agricultura é muito mais do que um negócio. É um modo de vida construído sobre responsabilidade, conhecimentos transmitidos entre gerações e respeito pela terra. Trabalhamos para produzir alimentos seguros e de qualidade, cuidando dos recursos naturais que tornam essa produção possível”, afirmou.
Durante a apresentação, Martha explicou que a pecuária e os campos nativos convivem de forma harmoniosa há gerações no Pampa, um dos maiores ecossistemas naturais de campos temperados do mundo. Segundo ela, o manejo responsável do pastejo contribui para conservar a biodiversidade, proteger o solo e armazenar carbono.
“Produtividade e sustentabilidade não são objetivos opostos. Essas práticas nos permitem produzir mais, utilizar os recursos naturais com eficiência e contribuir para a segurança alimentar com responsabilidade ambiental”, ressaltou.
Além de integrar a Comissão da CNA, Martha é presidente da Comissão de Mulheres do Sindicato Rural de Alegrete e coordenadora regional da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Para ela, comunidades rurais mais fortes são construídas quando as pessoas têm oportunidades de participar, aprender e exercer a liderança.
Ao abordar os desafios do agro, a produtora citou os impactos das mudanças climáticas. Ela lembrou as enchentes severas e os longos períodos de estiagem enfrentados recentemente pelo sul do Brasil, que destacaram como a produção de alimentos pode ser vulnerável.
Martha defendeu a cooperação entre governos, organizações internacionais, instituições de pesquisa e produtores, além da continuidade dos investimentos em pesquisa agropecuária, educação rural, inovação, infraestrutura e intercâmbio de conhecimentos.
“Quando os produtores têm acesso à ciência, à tecnologia e à capacitação, estão mais preparados para enfrentar os desafios climáticos, aumentar a produtividade, proteger os recursos naturais e fortalecer a segurança alimentar global”, disse.